"> Como impor limites aos bebês e crianças? • Miss Mãe
 
07/12/2015

Como impor limites aos bebês e crianças?

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Olá minhas amoras lindas!!!

Estamos enfrentando uma fase bem chata e difícil na educação do bolotinha. Henrique está cheio de vontades, não aceita o não, desafia tudo e todos e nos testa a todo tempo. Me deparei com um questionamento que imagino ser o mesmo de muitas mamães: Como impor limites a um bebê de apenas 1 ano e meio? A gente lê tanta coisa, mas na prática tudo é tão diferente, não é mesmo? Por isso conversei com as amoras psicólogas Raquel Manzatti e Luciana Romano do Núcleo Corujas e elas me apresentaram a situação de uma maneira clara e dentro da realidade. Gostaria de dividir com vocês! Bora lá conferir a entrevista?

Qual a maneira correta de falar não?

A dica para os pais é é falar com firmeza e coerência quando imporem os limites, além de buscar sustentar o “não”. Como assim? Mantenha seu posicionamento, explique os motivo e, quando possível, ofereça alternativas. O que também ajuda muito nesta fase de aprendizagem é a forma com que os pais reagem aos diversos tipos de comportamentos de frustação da criança. Eles devem fazê-las entrar em contato com a consequência dos seus atos e responder por eles.

Colocar limites é um trabalho de educação diário que exercita também a paciência e o controle às frustrações dos próprios pais. Os pais precisam aprender a fazer uma avaliação de si mesmos, refletindo se estão sendo coerentes nos limites e se não confundem a criança como quando oras falam sim e oras falam não para situações semelhantes sem explicações claras.

Ensinar os limites não é apenas dizer não, mas também estimular a criança a fazer escolhas com responsabilidades.

Já li em alguns artigos que é importante falar não acompanhado de uma explicação. Isso é verdade? Fico pensativa porque se eles (no caso de bebês) não entendem a explicação, qual o sentido de falar?

É sempre bom explicar o motivo do não usando uma linguagem adequada à idade. O diálogo e a clareza na informação são essenciais. Os adultos tendem a subestimar a inteligência infantil! Acredite e confie que se você se impuser adequadamente, tiver embasamento e a criança confiar na figura do adulto, ela irá compreender sim. Porém a aprendizagem e educação fazem parte de um processo e não somente de um único evento/situação. Sempre justifique a restrição, mas para isso nem sempre a palavra não precisa ser necessária, por exemplo: Você pode dizer: “Você poderá sim comer chocolate, mas após o almoço, pois ele será sua sobremesa”, no lugar de “Você não pode comer chocolate agora”.

Quando os pais não explicam aos filhos, estes ficam sem nenhum referencial, possibilidade de compreensão das normas sociais, podem fantasiar os motivos, e muitas vezes entenderão como uma punição, o que pode trazer complicações para o relacionamento parental e dificuldades emocionais mais para frente.

Como as crianças na fase de 1 ano interpretam a palavra não?

Com um ano de idade a criança ainda possui o que chamamos de pensamento mágico, entende que ela e o mundo são a mesma coisa e mostra muita urgência em suas demandas. Ela não sabe ainda esperar e controlar seus anseios pois seu cérebro está em desenvolvimento (crescimento) e amadurecimento (ganho de novas funções), não tendo muita capacidade ainda para lidar com as frustrações. Sua necessidade de satisfação tem que ser imediata e assim deve ser, mas isso não quer dizer que os pais devam permitir tudo, como por exemplo: puxar cabelo, beliscar, apertar, e outros. Nestas situações, os pais podem impedir a ação da criança, segurar o bracinho quando for puxar o cabelo e começar a verbalizar:  “Não! Assim machuca a mamãe! Não vou deixar!”. Como a linguagem nesta idade ainda é recente e nova, usam formas de comunicação já aprendidas para expressarem suas angústias e frustrações, como o choro e agitação .

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Por que as crianças dessa fase amam desafiar os adultos?

A criança está em processo de aprendizagem e desenvolvimento, ela está em formação, por isso eles questionam e testam até onde podem ir como forma de validar as regras e limites.

Quando a criança percebe que nem tudo é como ela deseja e descobre que não tem o controle de tudo o que quer, ela frustra-se e acompanhado disso podem vir emoções de raiva. Diante disso ela pode ter alguns comportamentos como chorar, gritar, bater, e procurar testar os limites dos outros.

Assim, não é um desafio, é uma descoberta do mundo novo que ela está conhecendo pelos limites!

Sinto o choro mais frequente. Para qualquer coisa ele chora, tipo manhoso, sabe? Como lidar com essa situação pensando em que ao mesmo tempo que ele precisa de carinho, precisamos agir com cautela para não deixar ele mimado?

É preciso entender que o limite e o “não” também são formas de carinho. Caso os pais acreditem que os “Nãos” não são também uma maneira de demonstrar amor, a criança também compreenderá desta forma e entenderá o limite e o “não” apenas como ruim. Porém, se os pais compreenderem que os limites adequados e coerentes oferecerão segurança emocional à criança e irão muni-la de ferramentas internas para lidar com futuras dificuldades e frustrações que a vida irá impor, tudo fica mais tranquilo, pois estarão mostrando muito amor.

É preciso ficar atento para o limite não ser oferecido de maneira muito rígida e nem de forma ambígua e frouxa (oras é não e oras é sim para uma situação), pois isso deixa a criança confusa e a faz batalhar por momentos de prazer já experimentados nesta situação. Além disso, deve-se tomar cuidado para o carinho não vir quando houve culpa ou manha, pois assim, a criança estará aprendendo que há ganhos secundários em suas travessuras.

É saudável todos (pais e filhos) compreenderem que há diversas formas de oferecer carinho, e que o toque físico, o acolhimento, o beijinho e abraço tem momentos próprios, assim como os “nãos” e conversas sérias, mas que não necessariamente precisam caminhar separados.

Na pergunta a cima, a criança pode estar testando os limites: quanto eu preciso chorar pra ter o que eu quero??”. Estes são testes pra conhecer os limites dos pais e os dele!!

Entenda que isso que você está chamando de limite e de carinho são necessários e bons. A criança precisa de ambos para um desenvolvimento saudável. Porém, é comum haver fases em que a dinâmica familiar esteja pedindo para que o limite seja mais trabalhado por todos (pais e filhos). Por isso, acho que a melhor resposta à sua pergunta à questionar-se: “Do que exatamente meu filho está precisando neste momento e nesta situação, no aqui e agora?” e você também pode falar: “Mamãe ama você, mas não está concordando com esse seu comportamento

Sinto que o Henrique se irrita quando falo não, provavelmente porque ele já associa com algo negativo. Como lidar com essa frustração?

É preciso avaliar também como o limite está sendo transmitido, por exemplo: Se os pais falam “Você foi mal na prova, por isso não vai brincar à tarde” ou então “Você é sempre muito bagunceiro, vou tirar seu videogame para aprender a ser diferente”, eles não estão atuando com coesão, explicando de forma clara e nem educando a criança a lidar com as consequências de seus atos, dessa forma, estão sim passando uma mensagem negativa, carregada de julgamento e rótulos. A criança pode sentir-se ruim, culpada, não amada e pior, aprender de forma inadequada. Veja como é diferente quando se coloca um bom diálogo: “Filho, acho que você precisa dedicar-se mais nesta matéria, para isso talvez você tenha que estudar um pouco mais, vamos pensar em um horário e local bom para isso? O que acha?” ou “Lembra da nossa regra: só começamos uma nova brincadeira quando arrumamos a outra? Vamos então guardar seus brinquedos para assim jogarmos o video game?”

Quando a criança estiver frustrada, ajude-a a compreender e a lidar com essa frustração. Não há problemas em frustrar uma criança, mas sim problemas em nunca frustrar ou não ajudar e ensiná-la a criar ferramentas frente a seus conflitos.

Não tenham medo de educar, seu filho precisa aprender o que pode e o que não pode e fortalecer-se para as situações difíceis que a vida irá, com certeza, promover.

Dentro da imposição de seu limite, sendo clara, objetiva e firme, você também pode ajudar a criança a conseguir ser capaz de explicar o que ela está sentindo (ajude-a a traduzir o sentimento e o que a levou isso), dialogue com ela, não encerrando as situações com “nãos”vazios de sentido. Deixe ela se frustrar e entender o que é esse sentimento, ela tem que aprender a conhecer e reconhecer tudo isso e a tarefa dos pais é oferecer possibilidades para isso.

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Luciana e Raquel são psicólogas clínicas e hospitalares, formadas pelo Mackenzie com especialização no FACIS em psicologia Junguiana. Tem cursos específicos na área de gestantes e mãe-bebê. Experiência com gestantes, mães e famílias, desde atendimentos hospitalares e a domicilio a atendimentos no consultório.

Coordenadoras do Núcleo Corujas, um espaço para gestantes e famílias com grupos terapêuticos, cursos e atendimentos psicoterápicos.

Contato: www.nucleocorujas.com.br
Rua Dona Avelina, 346 – Vila Mariana – São Paulo – SP
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Telefone: (11) 5579-5761 / E-mail: contato@nucleocorujas.com.br

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